segunda-feira, 28 de março de 2011

14 Bis - Pequenas Maravilhas

 

Pequenas Maravilhas

14 Bis

Composição : Flávio Venturini e Murilo Antunes
Se era uma vez
Castelos de papel
Gnomos e cristais
Motivos de canções
Decerto são pequenas maravilhas
Duendes brincalhões
E desanoiteceu
Na saga dos anões
Na luz de cada olhar
Na trilha das formigas
Nas estrelas
Em cada grilo
Quem descobrir tamanha grandeza
Verá a tribo a dançar ao rito da chuva
Será a festa da terra a nova semente
As folhas pelo chão
O branco algodão
As lágrimas de amor
As pérolas marfim
Os frutos da suprema natureza
O raio multicor
Um feixe de luar
Lembranças e quintais
E tudo que sonhar
Aviva o país das maravilhas
(E amanheceu)
Cigarras e flores, contos de fadas
Não há um bem maior que a pequena criança

Semente do Amanhã

Semente do Amanhã

Composição : Gonzaguinha
Ontem um menino que brincava me falou
que hoje é semente do amanhã...
Para não ter medo que este tempo vai passar...
Não se desespere não, nem pare de sonhar
Nunca se entregue, nasça sempre com as manhãs...
Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar!
Fé na vida Fé no homem, fé no que virá!
nós podemos tudo,
Nós podemos mais
Vamos lá fazer o que será

Casuarina - Arco-íris

Arco - Íris

Casuarina

Além do arco – íris o mundo é mais belo
Tem tanto castelo suspenso no ar
Além do arco – íris o tempo é sem pressa
Pois nada começa
Nem pode acabar
Além do arco – íris até mesmo o sonho
Não fica tristonho de ser sonho só
Além do arco – íris a lua é mais cheia
E o som pela areia espalha ouro em pó
Além do arco – íris as nuvens não correm
Os rios só morrem nos braços do mar
Além do arco – íris não tem céu deserto
E o longe é mais perto
Que qualquer lugar
Além do arco –íris mais livre descalça
A vida é uma valsa falando de amor
E o próprio arco – íris a gente até acha
Que dorme na caixa de lápis de cor
La laia laia laia laia
Laia laiá laiáááá

Café com leite







 Não, não! Não se trata de uma crônica sobre o desjejum, café da manhã, gastronomia ou algo parecido. Dessa vez, falarei de algo vivido durante minha infância, não apenas por mim, mas por várias pessoas da mesma época. Vou explicar.
Quando crianças mais velhas iam brincar e uma mais nova queria participar da diversão, havia um combinado geral entre as mais velhas para que a criança mais nova fosse “Café com Leite”. Ou seja, a criança Café com Leite, brincaria numa posição de faz-de-conta. Verdadeiramente, se o Café com Leite ganhasse não valeria, se perdesse, não contaria. Tanto fazia. A opinião do Café com Leite não seria considerada. A criança não “vogaria”.
Eu já fui Café com Leite. Muitas vezes. E como foi ruim! Eu me sentia um verdadeiro zero à esquerda. Depois, fui ficando mais velha e deixei de ser considerada Café com Leite. Ao menos nas brincadeiras. Quando presenciei a condenação de outras crianças ao status de Café com Leite, compreendi exatamente o que elas sentiam. Por algumas, lutei pela não condenação. Por outras, me omiti.
Coisas de infância à parte, hoje penso quantas pessoas se sentem Cafés com Leites diante da vida, das situações que se apresentam ... Na verdade, esse processo poderia ser explicado sob diversos enfoques: há o enfoque econômico, o político, o ideológico, o psicológico, o social, antropológico, e mais.
Fico com a perspectiva psicológica, que por vezes compreende que trata-se de uma sistemática de mão-dupla: alguém condena você a não ser alguém e você, por outro lado, “concorda” em ser ninguém. E nessa concordância, é possível perceber que o tempo passa, mas o lado frágil vivido na infância permanece, perdura, persiste.
Convoco todos que se sentem Café com Leite, a se rebelarem e discordarem desse enquadramento. Não aceite esta pecha. Todas as manhãs quando você acordar, olhe para dentro de si e diga: “- Eu existo, sou gente, tenho idéias, desejos, sentimentos”. Em seguida, procure levar esta sensação para o mundo. Se você fizer isto, de verdade, tenho a impressão de que os rotuladores e desrespeitosos de plantão irão recuar e pensar: “-Ali tem uma pessoa, ali tem gente.”
Portanto, Café com Leite? Nunca mais.

CRISTIANA ZARZAR